Sobre

Embora a expressão “epistemologias do sul” esteja ligada a um conjunto muito vasto de pensadores e pensadoras, implicando inúmeros problemas de ordem teórica, histórica e metodológica, seu uso tem se tornado bastante comum nas esferas de circulação acadêmica com o objetivo de evidenciar o caráter localizado do conhecimento. Seguindo John & Jean Comaroff (2012), o Sul não é aqui entendido de forma substantiva, mas como uma relação, “um artefato histórico, um significante instável em uma gramática de signos cujo conteúdo semiótico é determinado, ao longo do tempo, por processos materiais, políticos e culturais cotidianos, os produtos dialéticos de um mundo global em movimento” (p. 47). Como categoria epistêmica, o Sul vem se revelando uma ferramenta teórica fundamental para o estudo e o questionamento das inúmeras desigualdades e hierarquias – raciais, de gênero, epistêmicas, econômicas etc. – que atravessam as relações Norte/Sul em suas múltiplas manifestações e em sua heterogeneidade constitutiva no contexto do capitalismo global.

Diante disso, o “II Congresso Internacional Epistemologias do Sul: Perspectivas Críticas” da Universidade Federal da Integração Latino-Americana pretende contribuir para o avanço das discussões nesse campo, em sintonia com o crescente questionamento do racismo e sexismo epistêmicos (GROSFOGUEL, 2012) ou, ainda, com o que alguns pensadores afro-caribenhos têm chamado de “giro na geografia da razão”. Este ano, o congresso acontecerá juntamente com a “I Jornada de Estudos Afro-Latino-Americanos” organizada pelo NEALA/UNILA, com vistas a aprofundar o debate a respeito da diáspora africana e das relações étnico-raciais em diferentes contextos nacionais e em sua relação com processos globais bem como contribuir para descortinar a colonialidade do poder (QUIJANO, 2011) e a raça como um dos mais eficientes instrumentos de dominação social e epistêmica desde a Conquista da América.

A segunda edição do evento espera, portanto, seguir reunindo pesquisadores e pesquisadoras de diferentes formações disciplinares e de diferentes continentes interessados no pensamento social e político latino-americano, caribenho, africano e asiático, considerando as diversidades sociais e culturais dos continentes como eixos importantes de análise epistêmica, tanto em suas dimensões puramente teórico-analíticas como também em suas aplicações práticas em pesquisas empiricamente orientadas.

5 comentários sobre “Sobre

  1. Pingback: Até 20/08/16: propostas de grupos de trabalho para o I Congresso Internacional Epistemologias do Sul – COMUNICA

  2. Pingback: I Congresso Internacional Epistemologias do Sul: perspectivas críticas – Laboratório do Bem-Viver

  3. Interessantíssimo esse evento, em especial pela urgência de discussões mais ligadas a crise paradigmática que estamos enfrentando em nossas atividades nas universidades e centros de estudo. O Observatório Boa-Ventura de Estudos Sociais (OBES), ligado a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Centro Universitário do Rio Grande do Norte(UNI-RN), em Natal/RN, e várias instituições de ensino superior brasileiras, bem como Universidade de Coimbra, de Lisboa, Noa de Lisboa e Universidade do Minho, está empenhado em criar uma Rede Internacional do OBES. Daí seu interesse em participar desse evento, bem como estabelecer novas conexões de intercâmbio e parcerias. Vânia Gico.

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