Grupos de Trabalho

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GT01: Descolonizando as ciências sociais: desafios teórico-metodológicos do século 21

Marcos de Jesus Oliveira (UNILA) – marcos.jesus@unila.edu.br

Lorena de Freitas Rodrigues Tavares (UNILA) – lorena.freitas@unila.edu.br

“Descolonização da metodologia”, “metodologia do oprimido”, “indigenização do pensamento”, “giro na geografia da razão” etc. são expressões que têm se tornado mais comuns à medida que as ciências sociais – mas não apenas ela – avançam em suas experiências reflexivas assim como também em decorrência da entrada de atores sociais e políticos na academia que, antes meramente tratados como objetos de pesquisa, emergem como sujeitos do conhecimento, trazendo desafios aos saberes/fazeres teórico-práticos contemporâneos. Diante desse cenário, o presente Grupo de Trabalho “Descolonizando as ciências sociais: desafios teórico-metodológicos do século 21” pretende reunir pesquisadores/as interessados/as em discutir as transformações pelas quais as ciências sociais e as humanidades de uma forma geral vêm passando nos últimos anos, sobretudo, no que diz respeito ao adensamento de discussões sobre a localização epistêmica e seus impactos para a renovação e problematização de temas considerados clássicos. Discussões teóricas e críticas a partir das teorias subalternas, pós-coloniais, decoloniais e feministas bem como outros referenciais que reconheçam as especificidades dos lugares de fala serão bem-vindas. Estudos empiricamente orientados finalizados ou em curso também serão bem-vindos desde que dialoguem com a temática central do GT.

 GT02: População Negra: raça e gênero, políticas públicas e desigualdades

Angela Maria de Souza (UNILA) – angela.souza@unila.edu.br

Cinthia Marques Santos (UFG) – cinthiamasan@hotmail.com

Historicamente a população negra, urbana e rural, tem ocupado locais sociais subalternizados em países da América Latina e especialmente no Brasil, uma vez que o país e tantos outros foram formados, inicialmente, por processos de escravização e sequestro de povos africanos e povos autóctones, aqui tornados negras/os e escravas/os e indígenas. É neste processo de escravização e colonização que se configura o racismo, no Brasil e em demais países da América Latina, que ainda no século XXI figura como um dos entraves ao desenvolvimento socioeconômico igualitário entre população negra e não negra. Entendendo raça como um construto social, que se passa por “natural”, Aníbal Quijano enfatiza que por essa categoria reforçam-se as disparidades que sustentam a colonialidade do poder que, tão comum no mundo colonizado, cria hierarquias de ordem social baseada em raça e gênero. Tal constatação deve levar-nos a problematizar, seja nos espaços do domínio estatal ou civil, as sociedades hierarquizadas que o sistema colonial constituiu. Assim, pensar as ações, políticas públicas direcionadas a população negra, em sua diversidade, é refletir sobre reparação, promoção de equidade e o modo como Estado posiciona-se diante da existência do racismo e o reconhecimento do mesmo com finalidade a combater práticas discriminatórias que gera desigualdades sociais. O presente GT tem como intenção agrupar investigações, com distintas abordagens, que versem sobre raça e gênero, políticas públicas e desigualdades a fim de fomentar ampla discussão acerca da situação da população negra no Brasil e demais países da América Latina.

GT03: Descolonización epistémica desde el Sur indo-afro-latinoamericano

Carlos Francisco Bauer (UNILA) – carlos.bauer@unila.edu.br

Nuestro Grupo de Trabajo pretende focalizar en una amplia tarea crítica y descolonizadora respecto del pensamiento eurocéntrico. Así como puntualizamos nuestro territorio indo-afro-latinoamericano, también dejamos abierta la perspectiva descolonizadora para otras posibles regiones del planeta con la que nuestro trabajo debe articularse, ya que en esta nueva tarea epistémica y descolonizadora, están incluidos los diálogos críticos sur-sur; sur-norte; este-oeste, norte-norte.

GT04: Perspectivas epistemológicas, vivências e outras racionalidades: implicações e desafios para o fazer científico contemporâneo

Fábio Nunes de Jesus (UNEB) – fabionuness@yahoo.com.br

Jacy Bandeira Almeida Nunes (UNEB) – jacy_bandeira@yahoo.com.br

O olhar e a voz dos diferentes povos contemplam outras racionalidades e exigem novos modos de compreensão e interpretação das práticas sócio espaciais condutoras de sentidos da realidade que se quer desvelar em curso, pois “o conhecimento que construímos sobre o real intervém nele e tem consequências.” (SANTOS, 2010, p. 159). Partindo do pressuposto de que a articulação entre os fundamentos filosóficos, teóricos e metodológicos devem convergir com as orientações científicas no desenvolvimento da pesquisa, as perspectivas epistemológicas contemporâneas apontam o potencial de transcender os marcos epistemológicos da ciência moderna, no sentindo de superar a visão tecnicista predominante, a hegemonia eurocêntrica e considerar as pluralidades internas e externas do fazer científico que informam a diversidade epistêmica. Nessa ótica, as questões que suscitam são: como vem se configurando a atividade científica diante perspectivas epistemológicas contemporâneas? Quais os desafios e implicações teóricas e metodológicas? Quais diretrizes técnicas e teóricas básicas que contemplam tais perspectivas? A proposta é que o grupo de trabalho possa desvelar a configuração das atividades científicas diante das perspectivas epistemológicas contemporâneas; discutir as diretrizes básicas para o desenvolvimento das atividades de pesquisa em função das perspectivas epistêmicas; cotejar as implicações e os desafios que estas trazem para o fazer científico; e, indicar proposições que possam orientar os pesquisadores.

GT05: Colonialidades e de(s)colonialidade do crer, do saber e do sentir: implicações epistemológicas nos estudos da religião

Anaxsuell Fernando da Silva (UNILA) – anaxsuell.silva@unila.edu.br

Carlos Eduardo Pinto Procópio (IFSP/UFABC) – procopiocso@yahoo.com.br

Cientistas Sociais têm evidenciado como os povos de origem europeia concebiam seus modelos de vida, sua religião e suas crenças como meios unívocos para chegar à verdade e ao domínio das coisas. E, ao fazê-lo, têm problematizado como a globalização em curso seria a culminação de um processo que começara com a constituição da América e do capitalismo colonial/moderno e eurocentrado como um novo padrão de poder mundial. No campo dos estudos da religião, pesquisas recentes têm apresentado alguns sinais visíveis de uma fulgurante transformação epistemológica. No bojo desta mudança os referenciais da modernidade ocidental não se conformam como suficientemente úteis para compreensão do fenômeno religioso em toda sua complexidade no sul-global. No contexto de estudos pós-coloniais, de(s)coloniais e estudos subalternos, múltiplos aspectos de pressão, apreensão e repreensão devem ser considerados especialmente no que tange às transformações epistêmicas e suas implicações nas formas de saber, poder e crer, uma vez que interferem nas percepções de instituições tradicionais como a Família e a Igreja. Nesta direção, este grupo de trabalho pretende acolher comunicações de pesquisas que dialoguem com esta perspectiva e problematizem a religião, religiosidade, crenças e devoções a partir deste novo lugar epistemológico. Assim, consideramos ser fundamental a utilização das contribuições decoloniais/pós-coloniais como instrumento para reforma do conhecimento ou como instrumento heurístico para melhor compreensão da questão religiosa na América Latina. Não apenas por problematizar a interpretação binária dominador/dominado, mas também porque leva em conta os efeitos políticos e filosóficos deixados pelo colonialismo. Desse modo, terá lugar os trabalhos que reflitam criticamente a incidência pública das crenças/práticas religiosas, suas expressões políticas, literárias, artísticas, econômicas e sociais, enquanto espaços político-intelectual engendrado para que os povos subalternos falem por si mesmos.

GT06: Mídia e identidades subalternas: novos olhares epistemológicos para atores emergentes

Wesley Pereira Grijó (UFSM) – wgrijo@yahoo.com.br

Cristovão Domingos Almeida (UNIPAMPA) – cristovaoalmeida@gmail.com

O cenário contemporâneo marcado pela revolução das tecnologias de informação e comunicação materializa, no âmbito do sistema capitalista, as práticas simbólicas de dominação, no entanto não se pode desconsiderar a constante discussão do mundo acadêmico sobre as questões relativas à diversidade cultural e epistemológica do mundo. Essa diversidade é marcada ainda pela emergência das pesquisas sobre problemáticas relativas ao mundo não hegemônico e, contemporaneamente, suas implicações no que convencionou-se denominar de “mídia”, uma esfera abstrata composta pelos meios de comunicação da sociedade nos seus mais diferentes suportes e formatos, segundo a noção de John B. Thompson. Nas discussões abordadas por este Grupo de Trabalho, pretende-se questionar, a partir de estudos de variadas áreas, a tradicional hierarquização de saberes e toda a produção de conhecimento cientifico inserida no que alguns denominam de “colonialidade do poder”. Dessa forma, a partir da discussão contemporânea das “Epistemologias do Sul”, conforme a contribuição de Boaventura de Sousa Santos, e de “grupos sociais subalternos”, na concepção originária de Antonio Gramsci, este Grupo de Trabalho se propõe discutir novas formas de pensar a relação entre mídia e alteridade a partir dos grupos subalternos, das práticas socioculturais e da cidadania comunicativa. Pretende-se trazer para discussão trabalhos que questionem o status quo simplificador de que dominados, deserdados e oprimidos, sem que tenham verdadeira consciência, configuram os seus comportamentos e habitus a partir das representações dos dominadores, o que configura em um dos grandes obstáculos à crítica e denúncia da dominação e à consequente libertação. Assim, no GT acolhe-se trabalhos que concebam a diversidade do mundo, o pluralismo epistemológico e reconheça a existência de múltiplas perspectivas que contribuam para o alargamento dos horizontes de observação da sociedade contemporânea, de experiências e práticas sociais e políticas alternativas.  De forma mais ampla, o GT busca refletir ainda sobre as contraposições entre as diferenças epistemológicas, as forças de dominação colonial e a resistência social à dominação científica, como forma de abarcar as singularidades epistemológicas para se consolidar ainda mais na pauta acadêmica os sujeitos singulares do mundo não hegemônico: indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, migrantes, trabalhadores (as) rurais, refugiados e outros grupos que possam ser contemplados na discussão. Além disso, pretende-se trazer para pauta acadêmica a possibilidade de afirmação de epistemologias alternativas e de abertura a outros desafios epistémicos.

GT07: Direitos humanos e pluriversalidade: conexões temáticas desde o Sul global

Marcos de Jesus Oliveira (UNILA) – marcos.jesus@unila.edu.br

Cleber Daniel Lambert da Silva (UNILAB) – cleberlambert@unilab.edu.br

O pensamento eurocentrado segundo o qual os direitos humanos representam o estágio mais avançado da civilização humana alcançada exclusivamente pelos países europeus vem sendo cada vez mais questionado à medida que crescem as discussões, lutas e debates em torno de suas insuficiências no que tange à proteção da dignidade humana e à mediação de situações dramáticas de desigualdades e de violência. A pluralização das gramáticas e das diferentes linguagens da justiça social operada, sobretudo, pelo chamado Sul global, traz inúmeros desafios aos fazeres/saberes prático-teóricos contemporâneos em suas múltiplas relações com fenômenos diversos. Partindo da ideia de pluriversalidade (MIGNOLO, 2012) como forma de fazer emergir manifestações de sentido não hegemônicas, o presente Grupo de Trabalho pretende reunir pesquisadores/as interessados/as na discussão crítica dos direitos humanos com o intuito de expandir os projetos éticos, políticos e epistêmicos da chamada modernidade ocidental. Assim, debates empíricos e/ou teóricos sobre as relações entre direitos humanos e exclusão social, a problemática do racismo e das clivagens sociais de gênero/sexualidade, a questão cosmopolítica em torno das formas de partilhar um mundo com a multiplicidade de outros seres para além de clivagens antropocêntricas como humanos/não-humanos, a discussão sobre os direitos dos povos e das comunidades indígenas ou de outros grupos sociais historicamente marginalizados bem como a emergência e visibilidade de novas gramáticas da proteção da vida, de criação de novos direitos e da busca por justiça social serão bem-vindos.

GT08: Epistemologias do Sul na perspectiva do Paradigma da Complexidade

Edna Alves de Souza (UNESP) – souzaednaalves@gmail.com

Maria Eunice Quilici Gonzalez (UNESP) – gonzalezquilici@gmail.com

Como observa Boaventura de Sousa Santos, se podemos falar de Epistemologias do Sul é porque existem Epistemologias do Norte. No livro intitulado Epistemologias do Sul, organizado por ele próprio e por Maria Paula Meneses, encontramos duas ideias basilares das Epistemologias do Sul. A primeira delas é a da inexistência de epistemologias neutras. A segunda é a de que as reflexões epistemológicas devem incidir diretamente na atividade científica e nos seus impactos em outras práticas sociais, não tendo efeito apenas sobre os conhecimentos abstratos. Em termos gerais, as Epistemologias do Sul consistem, de acordo com Santos & Meneses (2009, p. 7), no “[…] conjunto de intervenções epistemológicas que denunciam a supressão dos saberes levada a cabo, ao longo dos últimos séculos, pela norma epistemológica dominante, valorizam os saberes que resistiram com êxito e as reflexões que estes têm produzido, e investigam as condições de um diálogo horizontal entre conhecimentos”. O objetivo deste Grupo de Trabalho é criar espaço para uma discussão interdisciplinar sobre investigações temáticas relacionadas às chamadas Epistemologias do Sul a partir de uma perspectiva do Paradigma da Complexidade. De acordo com tal paradigma, a análise de um problema deve ser feita com a atenção voltada para a sua multidimensionalidade, ou seja, considerando as suas várias escalas e perspectivas. Neste contexto, os objetos de estudo são pensados como um sistema, isto é, um conjunto de relações entre agentes e ambiente formando um todo funcional, uma estrutura (Souza et al., 2016). Ao contrário dos pressupostos do paradigma reducionista vigente desde a modernidade, que impediu a emergência ou o reconhecimento de saberes não redutível a ele, o paradigma da complexidade reconhece que o mundo é multifacetado, multicultural, e que o conhecimento é, portanto, contextualizado. Desse modo, consideramos que o Paradigma da Complexidade fornece instrumento metodológico adequado para a pesquisa de diversos temas relacionados à abordagem das Epistemologias do Sul, tais como: o conceito de objetividade científica; um possível diálogo entre as ciências humanas e exatas no estudo de questões éticas; o conceito de justiça e suas implicações epistemológicas; a relação entre informação, ação e conhecimento; questões concernentes à identidade e diferença (individual e/ou coletiva); o impacto causado pelas novas tecnologias informacionais; novas perspectivas no estudo da epistemologia; a abordagem feminista da ciência etc. Consideramos que a discussão a respeito destes temas, desde um ponto de vista da perspectiva da complexidade, pode contribuir para o desenvolvimento da abordagem das Epistemologias do Sul.